Não se engane! Todos os casamentos dão errado um dia

Dizem que se conselho fosse bom, não seria dado, mas vendido. De qualquer forma, mesmo assim, vou me atrever a dizer algumas coisas para quem está pensando em casar ou acabou de cair nessa armadilha do coração.

Casamentos não dão certo! Não foram feitos para dar certo. Simples assim. Aceite! O “felizes para sempre” que você viu no filme da princesa da Disney só funciona do outro lado da tela. Na vida real é assustadoramente diferente e quase ninguém tem coragem de falar.

Eu não estou falando apenas dos casamentos formais, de papel passado, mas também daqueles que são vividos com o contrato formalizado apenas no coração, da decisão de se viver a dois.

São duas pessoas completamente diferentes, com criação e modelos familiares distintos e com visões paralelas de mundo.

Mesma classe social? Mesmo nível escolar? Mesmo isso ou aquilo? Esqueça! Por mais próximas que sejam suas criações e valores, sempre haverá algo transmitido ou absorvido diferente no núcleo familiar de cada um e isso vai se transformar em um problema mais cedo ou mais tarde. Acredite!

Mesmo que haja alguma afinidade no início, ainda que a paixão e o tesão os cegue temporariamente, chegará o momento em que as “desafinidades” e as discordâncias crescerão como gigantes.

As primeiras vezes em que elas aparecem são até suportáveis, mas com o passar do tempo e com as repetições se tornam bem doloridas.

O arder químico da paixão possui tempo de validade. Dura entre três e cinco anos e depois disso o fogo vai se acalmando, deixando aparecer o ser que realmente estava por trás de toda aquela chama.

Algumas vezes o ser descortinado vai do príncipe encantado ao sapo chato, feio e sem sal da noite para o dia. Mas não é só isso… A doce princesa encantada também tem seus dias de rainha má.

O que fazer, então? Não casar? Não procurar alguém para ficar junto a vida inteira? Não! Eu não disse isso! Não estou dizendo para você desistir de casar ou pular fora do seu relacionamento. Muito pelo contrário!

Nem só da química do tesão cego vive um casamento e é nesta hora que o amor, o verdadeiro amor (sim! Ele existe!), se revela na decisão consciente de amar, de insistir em querer, de ficar, de construir uma vida a dois.

Na verdade o que estou tentando dizer é que casamentos não dão certo do ponto de vista de quem diz “pronto, casei! Final feliz! Não preciso fazer mais nada”. Casamentos existem para serem construídos, alimentados, tratados, moldados e tecidos, consertados, aperfeiçoados um dia de cada vez, todos os dias das suas vidas. Este é o verdadeiro “viveram felizes para sempre”.

De qualquer forma, alguns erros devem ser evitados a todo custo e vou falar sobre alguns deles agora.

O casamento/relacionamento não pode ser uma fuga ou iniciado pelos motivos errados.

Não se casa sem amar ou para vingar o amor não correspondido de uma terceira pessoa.

Não se deve casar com uma pessoa querendo fazer dela a outra pessoa que o seu desejo queria que ela fosse.

Não se casa para fazer do outro um outro você ou uma projeção do que você não consegue ser ou ter. Isto seria um caminho insano, dolorido e frustrante porque não se muda ninguém à força saudavelmente.

O que eu realmente quero dizer, e você precisa entender, é que não é falta de vontade nem descaso, algumas manias até conseguem ser mudadas com e por amor, mas existem outras que são intratáveis e são naturalmente automáticas e permanentes. Você vai ter que aprender a conviver com elas.

Quando você perceber algum “defeito” no outro, lembre-se que você tem outros muitos defeitos incuráveis. A vida a dois é assim mesmo. Pra todo mundo.

É certo que virão dias em que ficar sozinho seria bem mais fácil. Sim! Estas vontades sempre chegam de surpresa, sem avisar…

Entretanto, nos outros dias, quando aquela velha canção toca novamente e embala dois corações que se amam já há algum tempo, andar de mãos dadas na vida com quem decidiu por livre e espontânea vontade enfrentar os mesmos monstros com você, apesar de você, é a mais doce e completa sensação da felicidade.

Ter ao lado, a presença de alguém que poderia escolher outra vida, outros caminhos, mas decidiu ficar por livre decisão é um presente da vida e dos céus para vocês dois.

E essa é a razão de ser do casamento: dar sentido ao que não faz sentido. Levantar e ser levantado. Querer fazer o outro feliz mais do que ser feliz. Quando isso acontece equilibradamente, a difícil vida a dois ganha vontades e viradas eternas!

Não existe casamento ou relacionamento sem dor, sem alguma mágoa e sem perguntas interiores. No entanto, definitivamente, nenhum casamento pode ser erguido sem amor, companheirismo, honestidade, fidelidade, proteção mútua, perdão (Ah! O perdão…) e uma boa dose de insistência.

A vida a dois pode doer em alguns momentos, mas nunca ser uma doença ou um fardo insuportável. O relacionamento não deve ser neurotizado nem pode ser uma forma de anular ou agredir a individualidade do outro.

Suas dores são importantes, sim. Mas lembre-se que o outro também sente dor. Podem ser dores iguais ou diferentes, mas doem do mesmo jeito. É preciso exercitar todos os dias a sensibilidade de perceber a dor e a necessidade do outro.

É possível abrir mão de projetos pessoais em favor do outro e da vida a dois, mas isto deve ser uma troca saudável. A retribuição deve vir em forma de um bem maior, comum aos dois e não somente para fazer um dos lados o vencedor sempre solitário.

Quando um casamento não dá certo, ele pode e deve ser refeito quantas vezes forem necessárias, com a mesma pessoa, se possível. Sim! Com a mesma pessoa… Por que não?

Casamento tem que ser livre. Naturalmente espontâneo e leve. É a decisão da alma que entra em acordo com o coração e a razão.

É um decidir diário de ficar, de insistir, de se corrigir, de se calar, de deixar de querer ter razão, de tentar mais uma vez e tentar de novo porque se ama. Porque se ama. Mesmo que pareça loucura, se ama, se entrega, pula de cabeça outra vez e se dá as mãos para seguir em frente.

 

O Deus que inventou a vontade de viver a dois te abençoe rica poderosa e sobrenaturalmente!

Bacharel em Teologia pelo UniBennett (Rio), Pablo Massolar é o editor e autor do Ovelha Magra. MBA em Gestão de Marketing, autor de livros e palestrante. Casado com Elaine, a menina mais linda do mundo, e o orgulhoso pai de Ana Clara e Sarah.

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